Assisti ao filme Na Praia à Noite Sozinha com um amigo – que, diga-se de passagem, dormiu da metade para frente! Eu, no entanto, fiquei completamente acordada e atenta a cada detalhe, especialmente pela profundidade e pela beleza visual que ele oferece. Os cenários são lindíssimos, com paisagens que trazem uma calmaria e suavidade raras de se ver, criando um pano de fundo quase poético para a história, que, em contrapartida, traz um ar de melancolia e tristeza.
O ritmo do filme é lentíssimo. A trama aborda uma atriz que teve um caso com um homem casado e, por conta do escândalo, precisou dar uma pausa na carreira. Ela viaja para a Alemanha e depois retorna à Coreia, onde visita amigos e reflete sobre sua vida, em diálogos intensos, regados a álcool e momentos de sinceridade ácida.
Os diálogos são um show à parte, sempre ocorrendo em torno de uma mesa cheia de comida. As conversas começam com reflexões simples, mas evoluem para momentos em que a personagem, geralmente fofa e delicada, solta verdades que, às vezes, são até cruéis, nascidas do âmago de sua dor.
Fiquei surpresa ao saber que o filme é inspirado na vida real e que o diretor e a atriz são realmente um casal fora das telas, com a história baseada no caso deles. Esse detalhe me surpreendeu e deu um toque ainda mais autêntico à trama, como se estivéssemos assistindo a um desabafo do diretor e da atriz, transformando pedras em um castelo.
É um filme introspectivo e cheio de nuances, ideal para quem aprecia uma experiência visual e emocionalmente profunda. Porém, acredito que alguns possam achar monótono, devido ao ritmo muito lento.
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